Encontrar, beijar, paquerar e zoar; mais do que tudo isso, os jovens dos ‘rolezinhos’ exibem só a vontade de estar junto e pertencer à sociedade de consumo, ainda que essa “inclusão” não exija roupas de grife. Querem acessar espaços frequentados pelas classes às quais aspiram, não contestá-los.
A reação aos rolezinhos tem sido comparada a uma nova onda de protestos como os de junho passado. Podem até acabar virando manifestação a exemplo daqueles que foram para as ruas sem saber a razão e que participavam de ato político.
Por enquanto, confirmam o poder de mobilização das redes sociais, sem notar que elas são só ferramenta e que o poder de fato está com eles. Não há, ainda assim, movimento político para mudar o país ou furtar o lojista, como também não queria depredar a maioria daqueles que foi às ruas no ano passado.
Furto, brigas e tumultos são consequências de grande concentração de pessoas em determinado lugar. Trata-se, antes de tudo, de um desafio de gerenciamento dos administradores e dos lojistas. O que podem fazer e oferecer seria questão mais adequada a quem, ao final, poderia, e sempre quer, lucrar com isso.
Há, é claro, risco de descontrole pelo chamado “efeito manada”, quando indivíduos passam a atuar em conjunto, atrás de uma maioria, numa adesão pessoal e automática a uma decisão coletiva, guiados pela emoção. Quando vamos à praia, por exemplo, lotamos aquele espaço, mas nem por isso arrastões ou outros delitos são frequentes.
Os rolezinhos vão passar como onda de verão, quando se combinam férias, muito calor e falta de lazer. O que impressiona é que, toda vez que surge algo novo e não planejado por quem acha que tem o controle da situação, lideranças que deveriam liderar e autoridades que deveriam organizar entram em parafuso. Como solução, apelam à força:(...) Chamam a polícia.
Transferir à Justiça é outra forma de fuga de responsabilidade. A ordem é recuperar a ordem, a qualquer custo, via PM, ou resgatar a normalidade, por meio judicial, pela qual ricos frequentam seus espaços e os pobres devem voltar para onde não deveriam ter saído e onde não levantam suspeitas. O poder constituído deveria discutir, sim, os direitos de ambos os lados, não proteger apenas um deles, em nome da propriedade e do patrimônio em desfavor dos vivos.
Tentar impedir os encontros por temer riscos é preconceituoso e inconstitucional quando barram o direito de ir e vir. Em caso de delito, a polícia deve agir em todos os ambientes onde ocorrer. Ainda que privados, os shoppings viraram praça pública. A glamurização fez deles espécie de centro de tudo, como se a vida só acontecesse ali, de forma midiática, chique, inclusiva e democrática e com autoestima elevada. Os criadores de tais espaços alcançaram seus objetivos; que saibam agora gerenciá-los uma vez que todos, pelos menos os jovens, querem ir pra lá.
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