Amigo
Cabo Julio, vou lhe contar a minha historia.
Em 1990, passei no concurso da
PMMG; Penso que é mentira alguém dizer que nasceu para ser policial. A gente
aprende a ser policial e passa a gostar de ser policial, passa amar a policia, a
fazer dela a nossa família; Hoje eu amo ser policial; Ser policial está na pele,
no sangue; Hoje sou reformado e quando dizem pra mim que sou ex policial, eu
brigo e digo que não sou ex PM e sim, sou policial militar com muito orgulho;
Entrei na PM em 02/04/1990; Terminei o curso em 2º lugar;
Em
1991 fui destacado para a 48ª PM em Almenara e então pensei: tenho que
prosseguir na carreira, mas para fazer o CFC (Curso de formação de cabos), teria
que ter a CNH; Então corri atrás do meu sonho, tirei minha CNH, fiz o concurso e
passei; Voltei para Teófilo Otoni no 2º semestre de 1991 para fazer o curso,
CFC, tendo terminado o curso em 1º lugar;
Durante o curso, CFC, fiz as
provas para o curso de sargentos, tendo passado. Só não fiz o CEFS (curso
especial de formação de sargentos), no 1º semestre de 1992, devido o CFC ter
terminado em janeiro de 1992, e não ter dado interstício, indo para a segunda
turma de 1992.
Formado sargento fui designado para comandar o destacamento
PM de Salto da Divisa, onde desempenhei com prazer, com imparcialidade, o
comando daquele DST PM;
Pode perguntar naquele município, quem foi o melhor
comandante daquele DST PM;
Em outubro de 1996, teve um assalto na agência
bancária daquele município; O meu pensamento naquele momento foi tão somente dar
uma resposta imediata àquela sociedade. A única coisa que pensei foi prender os
assaltantes e recuperar o dinheiro roubado; Mas infelizmente durante o confronto
com os assaltantes eu levei um tiro na cabeça, tiro esse, quase fatal; Fui
operado em Eunápolis na Bahia, sendo transferido para Belo Horizonte, ficando
dois meses no HPM (Hospital Militar), desses dois meses quase um mês em estado
de coma e dois meses no Hospital Sarah Kubitschek, hospital de reabilitação
motora;
Depois de alta do hospital, constantemente ia a Belo Horizonte na
JCS (Junta Central de Saúde), fazer revisão, insistia com os médicos avaliadores
dizendo que eu não queria reformar que eu tinha amplas condições de trabalhar no
serviço administrativo, já prevendo o prejuízo financeiro que teria pela frente;
Fui reformado 2º sargento com dois qüinqüênios;
A minha turma de soldado
de 1990, toda tem quatro qüinqüênios.
A minha turma de sargentos 1992 já são
1º sargentos e alguns já são subtenentes;
Hoje seria no mínimo 1º sargento
com quatro qüinqüênios;
Se não tivesse sido reformado por incapacidade
física, chegaria ao final da carreira, no mínimo, sem fazer curso nenhum,
subtenente com 06 qüinqüênios, reformando 2º tenente com 06 qüinqüênios mais o
adicional trintenário;
Vou ser a vida toda 2º sargento com dois qüinqüênios;
Fui amparado em atestado de origem e reformado por Ato de Bravura
Quando
foi aprovada a Lei do auxílio invalidez, pensei: agora sim, graças a Deus, essa
lei veio a reparar um erro;
Fiz o requerimento tão confiante e comecei até a
fazer planos para o futuro meu e de minha família; Uma escola melhor para meus
filhos e coisas mais; mas qual não foi minha surpresa quando indeferiram meu
requerimento alegando que eu tinha condições de exercer cargos civis; Então fui
até o batalhão pedir que fizesse um ofício a JCS para que me reavaliasse;
Novamente me veio aquela alegria de que agora quando eles me vissem, iriam
reparar o erro; Qual foi minha surpresa quando indeferiram novamente meu pedido
de auxílio invalidez;
Agora me pergunto como pode eu hoje, uma pessoa de 46
anos de idade fazer cursinho para tentar passar num concurso da copasa, da
cemig, do banco do Brasil, ou da prefeitura local.
Espero somente que as
pessoas que comandam a Polícia Militar, tenham, no mínimo, um pouco de
sobriedade, de sensatez, de lucidez, de bom senso e olhem, um pouco para nós,
que demos o melhor de nós para engrandecer o nome da Polícia Militar;
Hoje
sou uma pessoa deficiente, uma pessoa limitada, dependente, mas antes do
acidente não era assim; Eu era um atleta, praticava esportes; Já ganhei medalhas
e troféus em maratonas, torneios de petecas, campeonatos de futebol, etc.;
Talvez pensem que eu quis ficar deficiente, assim para reformar mais rápido;
Só Deus sabe o quanto estou sofrendo; Quem me conhece sabe o quanto eu amo a PM;
Eu espero que um dia, antes que seja tarde demais, a PM, reflita, olhe para nós,
seres humanos, com carinho e conceda a nós, nada mais nada menos, do que aquilo
que é nosso, por direito, para que possamos viver com um mínimo de dignidade.
Um abraço do amigo Sgt Dias.