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terça-feira, 27 de janeiro de 2015

TRÁFICO DE DROGAS ESTÁ LIGADO A QUASE 70% DAS MORTES EM MG

OPERACAO SANTA LUZIA
Duas cidades do interior diminuíram os homicídios combatendo a venda de entorpecente

O tráfico de drogas está ligado à criminalidade violenta no Estado, principalmente ao homicídio. A venda de entorpecentes responde por cerca de 60% a 70% das mortes registradas em Minas, segundo estimativa do superintendente da Polícia Civil do Estado, Jefferson Botelho. “Estancando esse mal, vamos atingir os outros delitos”, avalia.

O TEMPO obteve os dados consolidados de assassinatos de 2014 relativos a quatro cidades do interior com mais de 300 mil habitantes – Uberlândia (Triângulo), Montes Claros (Norte), Uberaba (Triângulo) e Juiz de Fora (Zona da Mata). Dessas, as duas primeiras reduziram os índices de assassinatos em um ano, e as polícias atribuíram o resultado ao combate ao tráfico. O TEMPO

Em 2012, quando foram registrados 163 assassinatos em Uberlândia, as polícias Civil e Militar intensificaram o trabalho de inteligência para identificar a causa de um número considerado elevado de homicídios. Segundo o delegado regional da cidade, Samuel Barreto, constatou-se que a maioria das vítimas era usuária de drogas que não pagava a dívida com o traficante, aviãozinho (que vigia a aproximação da polícia), mula (que transporta o entorpecente) ou o traficante em disputa pelo ponto de venda. Como consequência desse trabalho, foram efetuadas cem prisões de suspeitos de homicídios no ano passado, quando se registraram 119 mortes, quase 18% a menos que em 2013, quando foram 145 óbitos.

Chefe da assessoria de comunicação organizacional da Polícia Militar (PM) de Uberlândia, Julio Cezar Cerizze Cerazo explicou que a corporação também passou a mapear as chamadas “zonas quentes” da cidade, locais onde há maior incidência de criminalidade. Os policiais constataram que o tráfico era maior na periferia, e o crime de furto, por exemplo, mais comum no centro.

Em Montes Claros, o delegado Bruno Rezende da Silveira informou que duas principais estratégias foram responsáveis para a redução do número de assassinatos. Em 2012, a criação da Delegacia de Homicídios passou a agilizar as investigações.

Além disso, uma parceria entre a PM, o Ministério Público de Minas Gerais e o Tribunal do Júri deu celeridade aos processos de assassinatos. “Em 2014, prendemos 63 pessoas e apreendemos sete adolescentes”, revelou o delegado. Os assassinatos passaram de 86, em 2013, para 77, no ano passado.

Combate. O superintendente da Polícia Civil, Jefferson Botelho, explicou que uma política de enfrentamento ao tráfico de drogas passa pelo trabalho de inteligência para desarticular grandes quadrilhas, com o propósito de identificar o líder do esquema. “Quanto mais se combatem as grandes quadrilhas, há uma tendência da diminuição do número de homicídios”, disse.

Além de identificar e prender o chefe, Botelho afirmou que o serviço de inteligência faz um raio X da região para identificar os possíveis sucessores no comando. Assim, a corporação tenta impedir que o círculo da criminalidade seja retomado.

Porém, um entrave para esse trabalho de combate, segundo Botelho, é a “benevolência da lei do tráfico”. O superintendente disse que a legislação prevê alguns benefícios processuais ao traficante. Aqueles que não fazem parte de uma quadrilha e não têm uma atividade intensa no tráfico podem prestar serviço comunitário.

FONTE: O TEMPO
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