9 de maio de 2011

Antes escondidos, agora blogs militares são incentivados (EUA)

ARLINGTON, EUA. Muito, muito tempo atrás - no ano de 2003, para ser exato -, quando o Facebook e o Twitter ainda eram projetos, os blogs eram a novidade. E, para os soldados norte-americanos que iam para a guerra, eles eram uma revelação - e um meio de comunicação.
Através dos blogs pessoais, eles podiam enviar cartas para os amigos e parentes de uma só vez. Podiam zombar dos comandantes com grosseria, de forma anônima, em prosa. E podiam descrever o combate com o imediatismo de um jornalista de guerra, sem o filtro de editores de verdade. Muitos descobriram - e ficavam impressionados, mas contentes - que milhares de estranhos estavam lendo suas publicações.
Um novo gênero nascia ali, o MilBlog (mistura das palavras blog e militar). Em 2007, havia ilhares de blogs militares, escritos não só por soldados dos Estados Unidos e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no Iraque e no Afeganistão, mas também por pais, cônjuges e veteranos. Eles tinham até um agregador de blogs militares, o site www.MilBlogging.com, criado pelo soldado blogueiro Jean-Paul Borda.
Mas, desde então, o mundo do blog militar mudou consideravelmente. Atualmente, existem menos blogs sobre combate e muitos outros sobre a vida em casa após a guerra. E o Pentágono, que antigamente chegou a tentar controlar e até calar blogueiros, juntou-se à mania das mídias sociais. Os generais postam em blogs, as Forças Armadas têm contas no Twitter e vários comandantes mantêm perfis no Facebook.
O que antes significava independência insolente ou até rebelião secreta virou tendência entre todos. Isso pôde ser conferido na última semana, quando Donald H. Rumsfeld, que olhava os blogs com ceticismo e horror quando era secretário de Defesa dos Estados Unidos, discursou na 6ª Conferência Anual dos MilBlogs, realizada em Arlington - cidade vizinha a Washington.
"Posso dizer que tenho apreço pelo que vocês fazem", disse Rumsfeld, 78, aos blogueiros presentes na conferência. "Mas não tenho certeza se entendo direito essa história dos blogs", admitiu.
A conferência - organizada pelo MilBlogging.com, site de propriedade do Millitary.com - proporcionou uma boa demonstração sobre como os blogs militares atingiram a maioridade.
Os reservas do Exército, dos Fuzileiros e da Marinha enviaram representantes para elogiar as virtudes da mídia social. O tenente-general William Caldwell, defensor de longa data dos blogs, respondeu questões sobre o Afeganistão. E a plateia estava praticamente dividida entre homens e mulheres, uma grande mudança em relação aos dias de dominação masculina.
Ligados. Participantes usam seus computadores portáteis durante a conferência de blogs
FAMÍLIA
Uso por esposas tem crescido
Arlington. Embora as famílias militares usem blogs e mídia social há muito tempo para compartilhar experiências, os blogs de esposas de militares podem ser o principal crescimento no mundo dos MilBlogs. Agora, existem centenas deles, com novos blogs surgindo toda semana – dado que destaca o poder tanto emocional quanto utilitário da internet.
A autora do blog RidingTheRollerCoaster.com disse que o mundo digital pode ser um lugar surpreendentemente confortante para os cônjuges que ficam intimidados pelos encontros de familiares dentro das bases. "A resposta é instantânea", disse a blogueira, que tem 34 anos, é mãe de duas crianças e escreve sob anonimato a pedido do seu marido, em serviço em alguma guerra. "Seu posto, serviço e idade não valem nada na internet. Todo mundo é mais ou menos igual. Estamos todos sozinhos", disse ela. "Estamos lidando com a descarga do vaso sendo dada e as crianças chorando". (JD)
Ex-soldado foi expulso após criar página
Arlington. A conferência nos EUA Unidos também serviu de reencontro para alguns dos primeiros blogueiros militares, incluindo Mathew Burden, do "BlackFive", Mark Seavey, do "This Ain’t Hell", e Mike Saint Jacques, mais conhecido como Sniper. Jacques, 42, representa um marco da era de blogs militares. Em 2004, enquanto servia no Afeganistão, ele começou um jornal secreto (sim, de papel) chamado "The Sniper" (lema: "Dar tiro de mira certeira a partir de uma posição privilegiada").
O jornal entretinha os soldados com suas sátiras. Jacques foi expulso do Exército, encerrando uma carreira de 16 anos, por zombar do comandante do batalhão. Ele voltou para casa e começou um blog com o mesmo nome.
Análise. Muitos blogueiros militares se voltaram para a análise política ou começaram a publicar colunas de conselhos sobre serviços militares e para veteranos. E muitos pararam definitivamente de blogar. Hoje, os soldados no front de guerra usam mais o Facebook.
Lindy Kyzer, que até o ano passado era assessora de mídia social do Exército, disse que os blogs militares ficaram mais corporativistas. "Quando você sabe que sua mãe ou seu comandante estão no Facebook, você consegue se divertir tanto?", perguntou Lindy.
Entretanto, defendeu, que os blogueiros militares ainda têm um papel vital. Enquanto os veículos de mídias tradicionais demitiam repórteres ou paravam de cobrir o Iraque e o Afeganistão, os blogueiros continuaram engajados nas tribulações dos soldados enviados para o front. (JD)
FONTE: O TEMPO
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